segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Marguerite Yourcenar, Feux


“Un coeur, c’est peut-être malpropre. C’est de l’ordre de la table d’anatomie et de l’étal de boucher. Je préfère ton corps.”, p.56

Robert Smith, Breakfast with Socrates

Chapter 17 - Having sex

"The urge must be received, the call answered. All of which suggests the phrase 'having sex' gets the order wrong - sex has us.
Neither the Darwinistic narrative of sex for survival nor, for that matter, Aristophane's fable of the self's homecoming (Plato's Symposion) thinks of sex needing love to make it work, and that's perhaps why both, as theories, feel unsatisfying.", p.158

Love can be subdivided into friendship (philia), sexual atraction (eros) and spiritual or emotional love (agape).

"However much love or friendship contributes to it, sex has, in order to be sex, to pass above, or beneath, those more elevated states: there has to be some action", p.161

"If love and friendship had everything in the sack sewn up, there'd no need for all those manuals on the positions; and because it's fundamentally different, sex looks for a different language, and finds it in the grammars of fucking", p.161

"There's a school of thought going back to French philosopher Georges Bataille - a contemporary of Theodor Adorno - which argues that, once the eye is involved, mind's eye included, obscenity has begun.", p.162

domingo, 2 de janeiro de 2011

Aristóteles, Poética 1455a 33-34

A arte da poesia é própria de génios ou de loucos, já que os génios são versáteis e os loucos deliram.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Eugénio de Andrade, Nada

Nada, nem sequer o verão
está completo. Menos ainda o colar
de sílabas que, desvelado,
te ponho à roda da cintura.
Nunca me pediste mais, nunca
te dei outra coisa.
Quando juntamos as mãos esquecemos
que somos culpados da nossa inocência.
E sorrimos, alheios
ao sol que declina, à estrela
do norte que sabemos no fim.
O provilégio da vida é este
silêncio musical que do teu olhar
cai nos meus olhos
e regressa a ti acrescentado
pela luz da manhã varrendo o mar.

In O Sal da Língua

Eugénio de Andrade, A poesia não vai

A poesia adora
Andar descalça nas areias do verão.

In O Sal da Língua

Oscar Wilde

Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expressão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico.
Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos.
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal.
Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.

O Retrato de Dorian Gray, p.24

1º "post" de 2011: La conscience de la mort

La mort est associée aux larmes, et parfois le désir sexuel l'est au rire.

C'est au contraire du fait que nous sommes humains, et que nous vivons dans la sombre perspective de la mort, que nous connaissons la violence exaspérée, la violence désespérée de l'érotisme.

in Georges Bataille, La conscience de la mort, Les larmes d'Éros