domingo, 30 de janeiro de 2011

Um paradoxo com duas pernas




O que é o "neo-objeccionismo"?
Saramago - "Nunca ninguém conseguiu entender essa coisa".
Luiz Pacheco - "Ah, era uma ideia de gozo, não não, não ligues a isso...Havia o neo-realismo e eu lancei o neo-objeccionismo...não lancei para parte nenhuma...era a gozar com o neo-realismo!"

sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu menino às 11h e 30m

Vírgula
Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que não te fale
feito de resistências e ameaças — Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.
A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.
Tanta metafísica eu e tu
que já não acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
— constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos Oásis Perdidos.
E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensidão da desordem
a que terão de ser constantemente arrancadas
— são da máxima importância as Velhas Concepções
pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.
Resulta isto dum olhar rápido sobre a cidade desconhecida. Mais
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como frágil véu que nos separa vedados e proibidos.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Maria_Lisboa
Ainda que inserida no surrealismo, a obra de António Maria Lisboa (em parte publicada postumamente por Luiz Pacheco na editora Contraponto) caracteriza-se por uma faceta ocultista e esotérica que a torna muito particular. Lisboa prefere intitular-se «metacientista», e não surrealista, porque, como argumenta numa carta a Mário Cesariny, a «Surrealidade não é só do Surrealismo, o Surreal é do Poeta de todos os tempos, de todos os grandes poetas».
SEGREDO

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

*

MORRER DE AMOR

Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso

(poemas de Maria Teresa Horta)

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"Amo decididamente a vida e procuro abraçar e aceitar tudo aquilo que ela me dá, por melhor ou pior que isso seja, pois a única coisa que desejo verdadeiramente é chegar ao fim dela e sentir que fui feliz e que fiz o que tinha a fazer para o tentar ser, quer isso signifique tê-la partilhado com alguém ou apenas comigo mesmo, não interessa qual das duas, desde que não tenha desistido do meu tempo enquanto ser humano."
V.E.

Mais de Ary

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

Ary dos Santos

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento

Ary dos Santos