quarta-feira, 23 de março de 2011

Eugénio de Andrade na Casa da Escrita

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa,ficar
nu dentro daquele sorriso.

Eugénio de Andrade

(foi inaugurada hoje, na Casa da Escrita, em Coimbra, uma exposição intitulada: Eugénio de Andrade, original e inédito a não perder. Um pouco como a exposição de Sophia de Mello Breyner, patente na capital)
Tudo isto está fora das leis humanas ou divinas porque é maior do que elas, do que o imaginado pelo homem para o homem e para os deuses. Há o nosso encontro aí porque tudo pesa imenso e nós devemos ser verdade.

Vergílio Ferreira, Em nome da terra

terça-feira, 22 de março de 2011

Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti? 


Álvaro de Campos

segunda-feira, 21 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

 
Praia do Pedrógão, fotografia minha, 19 de Março de 2011
Se a poesia é um som e se a obra de um poeta é o seu som, o seu sopro, então a poesia sopra através da vastidão de uma vida e arrasta nesse sopro a imagem dos lugares por onde passou. Gastão Cruz

Se um homem faz da vida um uso artístico, o cérebro passa a ser o seu coração


O romance vive da repetição, e a repetição transforma uma simples inclinação em arte. Além disso, cada vez que amamos é a única vez que amámos na vida. Um objecto diferente não altera a unicidade da paixão. Apenas a intensifica. Na melhor das hipóteses, só podemos ter na vida uma grande experiência, e o segredo da vida é repetir essa experiência o máximo de vezes possível.
O conhecimento seria fatal. É a incerteza que nos seduz. Uma névoa torna as coisas encantadoras.

O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ânimo para teses e afins

"Arrumo os fragmentos segundo uma ordem possível, afino a escrita, aparo a acutilância do conceito, tento um princípio organizativo que evidencie a progressão da experiência, do fenómeno - disseminação, anárquico - para a ideia -, concisa, fulguração a caminho de uma síntese. Acorrem primeiro imagens, metáforas, produtivas a palavra-maná, que alimenta o delírio con-formável a uma qualquer tecitura. Depois, pouco a pouco, o aglomerado informe poderá ir-se consolidando, convergindo para definições lapidares, provisórias, feixe de energia irradiante que permite ao pensamento ir progredindo. (...) o sujeito  vive-se já como ensaísta que soberanamente domina o mundo e que, no caleidoscópio do seu texto, faz fulgurar sempre novas conexões."

João Barrento, O género intranquilo, anatomia do ensaio e do fragmento, Assírio&Alvim, Lisboa 2010.