Totalmente herética.
Absolutamente hermética.
És a corrente eléctrica
que subverte a métrica.
vejo uma mulher distante amante
lutando contra o tempo desviante
uma mulher de células diamante
e oráculos védicos bramante…
uma rubra submérsica corrente
entregue aos ritos áuricos da mente
que me procura e eu busco demente
entre sonoras sombras manualmente!
uma mulher de súbitos desvios
de onde nascem tumultuosos rios
e se perfilam beijos desvarios
em sexos sanguíneos de-lírios…!...
uma mulher de hoje e de infinitos
saberes sabores de que se fazem mitos.
E.M de Melo e Castro, in «No Limite das Coisas», Campo das Letras, Porto, 2003