quinta-feira, 31 de março de 2011

arte automática

Em memória do pintor Ângelo de Sousa e "das suas novas formas de fazer pintura".

















http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=15486
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%82ngelo_de_Sousa

uma mulher de hoje e de infinitos

Totalmente herética.
Absolutamente hermética.
És a corrente eléctrica
que subverte a métrica.

vejo uma mulher distante amante
lutando contra o tempo desviante
uma mulher de células diamante
e oráculos védicos bramante…

uma rubra submérsica corrente
entregue aos ritos áuricos da mente
que me procura e eu busco demente
entre sonoras sombras manualmente!

uma mulher de súbitos desvios
de onde nascem tumultuosos rios
e se perfilam beijos desvarios
em sexos sanguíneos de-lírios…!...

uma mulher de hoje e de infinitos
saberes sabores de que se fazem mitos.

E.M de Melo e Castro, in «No Limite das Coisas», Campo das Letras, Porto, 2003

terça-feira, 29 de março de 2011

Mas tu transcendes-me na adoração da forma e reformas a transcendência do adorar e por isso é que amas da forma que amas e é isso que me fascina em ti!

Da autoria do meu JB

segunda-feira, 28 de março de 2011

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

Que importa o que "acontece"?

Sinto agora alguém dentro de mim a perguntar e depois? que é que aconteceu? Sei lá o que aconteceu, quero lá saber. Quero é estar contigo no nada de tudo o que acontecer. Saturar-me da tua presença. E ver-te. E ver-te. Que importa o que "acontece"?
Por enquanto há só - e como to vou dizer sem sair da norma e da sensatez? Há só o teu corpo leve aéreo. A transmutação da tua matéria terrestre. Uma presença intensa e frágil para haver tudo e o seu impossível.
Só há uma linguagem para falar do corpo fora da anatomia (...) A que fala do teu todo compacto em que há também a coisa que imaginas mas que vem depois, sobretudo numa prega do meu deslumbramento.

Vergílio Ferreira, Em nome da terra

E tu dirás está bem.

Um dia. Estará uma noite quente, caminharemos de mãos dadas. O anjo não virá, que teria lá que fazer? vamos sós. Não terei medo da tua presença com toda a sua força de me fazer ajoelhar. Olharei o teu corpo na sua presença incorruptível. Sofrerei em mim a descarga do universo e não gritarei o teu nome.
Nudez primitiva, não a saberemos. Porque será uma nudez para antes dos deuses nascerem.

Vergílio Ferreira, Em nome da terra.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eugénio de Andrade na Casa da Escrita

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa,ficar
nu dentro daquele sorriso.

Eugénio de Andrade

(foi inaugurada hoje, na Casa da Escrita, em Coimbra, uma exposição intitulada: Eugénio de Andrade, original e inédito a não perder. Um pouco como a exposição de Sophia de Mello Breyner, patente na capital)