sexta-feira, 9 de março de 2012

experimental poesia

de amor se faz amor
de nada mais resulta amor
que amor se faz de amor
de nada mais.
resulta amor de amor
que amor se faz de nada.
mais resulta que amor de amor
se faz amor de nada.
mais.


E. M. de Melo e Castro, in «Antologia efémera: 1950-2000», Nova Fronteira, 2007

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Desafio à viagem

Selmes, Pedrógão do Alentejo. Fotografia minha.
"Assim nos dávamos as mãos em face do Mistério. 
Mas para a Profundidade, o pensamento não pode dar respostas. (...)
Urgente se mostra portanto uma libertação da consciência,
pela compreensão do que realmente somos e da nossa relação com o mundo."

M. B. Serpa Branco, "Diálogo Inacabado" 
 in M. J. Nobre Júlio, In Memoriam de Vergílio Ferreira, Bertrand Editora, Lisboa 2003

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sentido

"Uma ideia só interfere na vida quando o sangue a reconhece"

Vergílio Ferreira, Do Mundo Original

(pelo seu aniversário, 28 de Janeiro de 1916)
" Há homens que lutam um dia e são bons,

há outros que lutam um ano e são melhores,

há os que lutam muitos anos e são muito bons.

Mas há os que lutam toda a vida...

... e estes ...

são imprescindíveis"

Bertold Brecht

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Metamorfoses da Casa

à "Toca", pelo aniversário de Eugénio de Andrade


Metamorfoses da Casa

Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.

A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro.

Como estremece um torso delicado,
assim a casa, assim um barco.
Uma gaivota passa e outra e outra,
a casa não resiste: também voa.

Ah, um dia a casa será bosque,
à sua sombra encontrarei a fonte
onde um rumor de água é só silêncio.



"Ostinato Rigore", in Poesia Eugénio de Andrade, Modo de Ler, Rosto Editora, Abril 2011, pp.175-176.
(pelo aniversário do poeta, 19 de Janeiro de 1923)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vale a pena?

"É difícil ainda admitir que a Terra não é o centro do Mundo. É difícil conceber que a espécie humana é uma espécie entre as outras que há-de findar como elas. Nós pensamos na nossa morte, mas sonhamo-nos sempre perduráveis na memória dos que nos conheceram ou mesmo na dos que vierem depois desses.
Mas a espécie humana é pressupostamente contínua pelos milénios dos milénios. Raro assim imaginamos a extensão infinita do silêncio que a precedeu e há-de seguir. Mas é só pensando num silêncio infinito que a espera é que podemos entender a sua fragilidade.
Um dia a Terra será deserta e reduzida à condição de uma bola de pedra perdida nos espaços e no seu absurdo fantástico de ser. Pensa nisso quando conquistares um império ou realizares uma obra de arte ou sofreres ou infligires uma humilhação.
E verás que tudo se te transfigurará."

Vergílio Ferreira, Escrever, Bertrand Editora, Lisboa 2001ª, p.20.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"De vez em quando a memória levanta-se...Estou bem. Cansado até às raízes de mim, mas estou bem. A vida inventa-se em cada hora em que ela se nos inventa (...) Uma serenidade invulnerável alastra-se pelo universo... O mar deserto até ao limite do poente. A vida inteira dentro de mim" 
Vergílio Ferreira, Até ao fim.
(http://www.youtube.com/watch?v=fD-AzafLWVk&feature=related - Ludovico Einaudi, In un'altra vita)