quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tudo aquilo que não se pode partilhar acaba desfeito em átomos.

Virgínia Woolf, Mrs. Dalloway, trad. de M.J. Freire de Andrade, Clube do Autor, Lisboa 2011

terça-feira, 27 de março de 2012

language of movement

"The dance is love, it is only love, it alone, and is enough...
now, I would like to no longer dance to anything but the rhythm of my soul"

Isadora Duncan, considerada a mãe da dança moderna

Harriet Lihs, Appreciating Dance, A guide to the world's liveliest art, Princeton Book Publishers, 2009.


Isadora Duncan, bailarina (1878-1927) http://6247daisy.wordpress.com/tag/isadora-duncan/

segunda-feira, 19 de março de 2012

Projectos

Como o rumor

Como o rumor do mar dentro de um búzio
O divino sussurra no universo
Algo emerge: primordial projecto


Sophia de Mello Breyner, Obra Poética, O nome das coisas, Caminho 2006, p.18

quinta-feira, 15 de março de 2012

Enquanto.

Edgar Degas, Bailarina, 1874.
 
Aproveita a vida enquanto ela é vida dentro de ti. 
Aproveita o teu corpo enquanto és tu que lá moras.  
Aproveita. 
Primeiro tens mais espírito do que corpo e há dentro de ti uma convulsão de ideias, uma agitação insofrida de projectos, resoluções, descobertas. Depois a convulsão abranda e começas a viver das ideias amealhadas. Depois, pouco a pouco, vais perdendo essas ideias ou vai-las esquecendo no sótão de ti. 
Depois resta só uma ou duas com que te vais governando. 
E por fim ficarás só com a carcaça do teu corpo, sem interior nenhum, e que as leis municipais estão à espera que se despache para atirarem à fossa. 
Aproveita o teu corpo enquanto estás dentro dele. 
Aproveita enquanto estás.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand 2004, p.194.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A árvore existe

Estou só - estás só. Não penses. Não fales. És em ti apenas o máximo de ti. Qualquer coisa mais alta do que tu te assumiu e rejeitou como a árvore que se poda para crescer. Que te dá pensares-te o ramo que se suprimiu? A árvore existe e continua para fora da tua acidentalidade suprimida. O que te distingue e oprime é o pensamento que a pedra não tem para se executar como pedra. E as estrelas, e os animais. Funda aí a tua grandeza se quiseres, mas que reconheças e aceites a grandeza que te excede.

Vergílio Ferreira, Para Sempre

sexta-feira, 9 de março de 2012

experimental poesia

de amor se faz amor
de nada mais resulta amor
que amor se faz de amor
de nada mais.
resulta amor de amor
que amor se faz de nada.
mais resulta que amor de amor
se faz amor de nada.
mais.


E. M. de Melo e Castro, in «Antologia efémera: 1950-2000», Nova Fronteira, 2007

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Desafio à viagem

Selmes, Pedrógão do Alentejo. Fotografia minha.
"Assim nos dávamos as mãos em face do Mistério. 
Mas para a Profundidade, o pensamento não pode dar respostas. (...)
Urgente se mostra portanto uma libertação da consciência,
pela compreensão do que realmente somos e da nossa relação com o mundo."

M. B. Serpa Branco, "Diálogo Inacabado" 
 in M. J. Nobre Júlio, In Memoriam de Vergílio Ferreira, Bertrand Editora, Lisboa 2003