Mas como fazer durar
até ao último instante
esta boca, este sol?
É preciso amá-la,
paciente e alta,
onde a chama canta.
Amá-la. Até ao fim.
Até ser dança.
Eugénio de Andrade, "Matéria Solar", Poesia, Rosto Editora, Abril 2011, p.379
"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve", Vergílio Ferreira, Escrever
terça-feira, 12 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
tal e qual
Pára-me de repente o Pensamento...
— Como se de repente sofreado
Na Douda Correria... em que, levado...
— Anda em Busca... da Paz... do Esquecimento
— Pára Surpreso... Escrutador... Atento
Como pára... um Cavalo Alucinado
Ante um Abismo... ante seus pés rasgado...
— Pára... e Fica... e Demora-se um Momento....
Vem trazido na Douda Correria
Pára à beira do Abismo e se demora
E Mergulha na Noute, Escura e Fria
Um Olhar d’Aço, que na Noute explora...
— Mas a Espora da dor seu flanco estria...
— E Ele Galga... e Prossegue... sob a Espora!
Publicado em várias revistas literárias, com ligeiras alterações, de 1900 (O Portugal) a 1935 (Sudeste).
terça-feira, 29 de maio de 2012
Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.
Almada Negreiros, Reconhecimento à Loucura
sexta-feira, 27 de abril de 2012
"Com o corpo apaga-se o que nele se iluminou" ??
"Pensar um corpo. A inserção nele do espírito que nele se incendeia. Pensar no eu que o personaliza e na separação dos dois à hora da desintegração. (...) Ao fim de uma vida um corpo está cheio de sinais do que lhe aconteceu, do que em cada dia lhe põe a marca de uma presença (...) O último inquilino de um corpo é o eu em que ele é"
Vergílio Ferreira, Pensar, 271, p.191
Por 2012, o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e após o espectáculo Maior, coreografado por Clara Andermatt.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
language of movement
| "The dance is love, it is only love, it alone, and is enough... now, I would like to no longer dance to anything but the rhythm of my soul" Isadora Duncan, considerada a mãe da dança moderna Harriet Lihs, Appreciating Dance, A guide to the world's liveliest art, Princeton Book Publishers, 2009. ![]() | |
| Isadora Duncan, bailarina (1878-1927) http://6247daisy.wordpress.com/tag/isadora-duncan/ |
segunda-feira, 19 de março de 2012
Projectos
Como o rumor
Como o rumor do mar dentro de um búzio
O divino sussurra no universo
Algo emerge: primordial projecto
Sophia de Mello Breyner, Obra Poética, O nome das coisas, Caminho 2006, p.18
Como o rumor do mar dentro de um búzio
O divino sussurra no universo
Algo emerge: primordial projecto
Sophia de Mello Breyner, Obra Poética, O nome das coisas, Caminho 2006, p.18
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