"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve", Vergílio Ferreira, Escrever
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
seremos nós a vertigem
Invention of Love (2010) - Animated Short Film
Preto ou branco!
Não se pensa, sente-se e não se pode inventar.
"E das mãos que saiam gestos
de pura transformação
Entre o real e o sonho
seremos nós a vertigem"
Alexandre O'Neill
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
"Claro que tenho medo": a palavra no corpo
"Não pude evitar. O amor nasce assim. Às vezes, só num olhar. Não se pode resistir à felicidade.”
"Pourquoi le plaisir de la solitude s’en va avec la solitude ?"
"Todas as noites...todas as manhãs...
(...)
Vamos fazer qualquer coisa... não se faz nada aqui...
Se tenho medo? Claro que tenho medo...
É um sítio tão racional quanto inexplicável
(...)
Claro que tenho medo"
Mas "Amor é fogo que arde sem se ver", "É um não querer mais que bem querer", "é um andar solitário entre a gente", "É querer estar preso por vontade"...
Sábio soneto.
"When the fear came..."
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Porcupine tree - Prepare Yourself
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reissegunda-feira, 3 de outubro de 2011
subitamente as palavras romperam
"entrego-te as palavras mais brandas
que entre os meus dedos construí
para alimentar de ti os recantos da casa
invadindo o coração da noite
entrego-te as palavras com redonda luz
das maçãs sobre a mesa e o rumor da água
rasgando o caminho da paixão
em horas que já não conseguimos sem ajuda recordar
mas que habitam a mais frágil memória de nós próprios
palavras jorrando dos meus olhos
invadindo-te o sono e tropeçando
nas esquinas das frases que decoro
ao longo dos veios da tua pele
(...)
porque nunca ninguém se prepara convenientemente
para a chegada do amor
e ele é sempre um convidado estranho
sentado em silêncio na penumbra da sala
olhando os quadros o chão o tecto
como um velho parente da província
com medo de dizer o que não deve"
Alice Vieira, Poesia, Dois corpos tombando na água, Editorial Caminho, Lisboa 2011
que entre os meus dedos construí
para alimentar de ti os recantos da casa
invadindo o coração da noite
entrego-te as palavras com redonda luz
das maçãs sobre a mesa e o rumor da água
rasgando o caminho da paixão
em horas que já não conseguimos sem ajuda recordar
mas que habitam a mais frágil memória de nós próprios
palavras jorrando dos meus olhos
invadindo-te o sono e tropeçando
nas esquinas das frases que decoro
ao longo dos veios da tua pele
(...)
porque nunca ninguém se prepara convenientemente
para a chegada do amor
e ele é sempre um convidado estranho
sentado em silêncio na penumbra da sala
olhando os quadros o chão o tecto
como um velho parente da província
com medo de dizer o que não deve"
Alice Vieira, Poesia, Dois corpos tombando na água, Editorial Caminho, Lisboa 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Aqui...
Subscrever:
Mensagens (Atom)