quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A Dança, de Carpeaux

imagem aqui
A escultura de Jean Baptiste Carpeaux foi esculpida entre 1865 e 1869:  5 figuras femininas, ninfas que dançam em torno de um jovem músico com uma pandeireta, a alegoria da Dança.

O trabalho foi encomendado para embelezar a Fachada da Ópera Garnier de Paris, no entanto, aquando da sua inauguração, foi considerada um escândalo na época, ofensiva devido à esplícita nudez e foi inclusive alvo de destruição pelo público que procurou danificá-la com tinta. Mais tarde, foi realizada uma cópia e a original guardada no interior da Ópera, anos depois no Museu do Louvre, juntamente com outras obras de Carpeaux. Encontra-se, hoje em dia, no Museu d'Orsay.

O autor idealizou uma imagem de dança que não se coadunava com os padrões rígidos do ballet clássico que se dançava na Ópera de Paris. A dança aqui adquire uma energia e uma força inigualáveis, as criaturas giram em torno da figura central, as cabeças para trás, os cabelos soltos, o rosto a rir, leve e descontraído, quase parece que as mãos se vão soltar a qualquer momento e que as estátuas sairão dali a rodopiar.

Para os interessados em pormenores estéticos e históricos:  vídeo 1 e vídeo 2.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Julguei que isto era o fim e afinal é o princípio.

Forte de S.Julião da Barra, fotografia minha, 22 de Fevereiro de 2014

à avó Rosária, 24 anos depois


"(Acende-se um foco pouco intenso que ilumina
Matilde e Sousa Falcão. Matilde veste uma saia
verde e Sousa Falcão está inteiramente vestido de
negro.)

MATILDE
(Com amizade)

Ele ainda está vivo, António. Não devia ter
vindo de luto. Olhe: vesti a minha saia verde. Vê?

(...)

MATllDE
O clarão da fogueira! Quando o virmos, já ele
está aqui ao pé de nós! Foi para o receber que eu
vesti a minha saia verde!

(Pausa)

Vem dizer-nos adeus, António, vem abraçar-nos pela última vez.
Nunca partiu para uma batalha sem se despedir
de mim e, agora, que se acabaram as batalhas,
vem apertar-me contra o peito!
Quer que o veja pela última vez de uniforme, o
uniforme que eu o ajudava a vestir antes das
batalhas...

(...)

Julguei que isto era o fim e afinal é o princípio.
Aquela fogueira, António, há-de incendiar esta
terra!

Adeus, meu amor, adeus. Adeus! Adeus! Adeus!

(...)


Felizmente há luar!
(É quase um grito)."

Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há luar,

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

é outra coisa

Não é o fantástico que pretendo, porque o fantástico é muitas vezes um real de fantasia. É outra coisa, o desajustamento subtil do imediato que nos dá um brevíssimo arrepio.

Vergílio Ferreira, Conta- Corrente 3, Lisboa, Bertrand, 1983, p.406.