"Uma ideia só interfere na vida quando o sangue a reconhece"
Vergílio Ferreira, Do Mundo Original
(pelo seu aniversário, 28 de Janeiro de 1916)
"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve", Vergílio Ferreira, Escrever
sábado, 28 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Metamorfoses da Casa
à "Toca", pelo aniversário de Eugénio de Andrade
Metamorfoses da Casa
Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.
A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro.
Como estremece um torso delicado,
assim a casa, assim um barco.
Uma gaivota passa e outra e outra,
a casa não resiste: também voa.
Ah, um dia a casa será bosque,
à sua sombra encontrarei a fonte
onde um rumor de água é só silêncio.
"Ostinato Rigore", in Poesia Eugénio de Andrade, Modo de Ler, Rosto Editora, Abril 2011, pp.175-176.
(pelo aniversário do poeta, 19 de Janeiro de 1923)
Metamorfoses da Casa
Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.
A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro.
Como estremece um torso delicado,
assim a casa, assim um barco.
Uma gaivota passa e outra e outra,
a casa não resiste: também voa.
Ah, um dia a casa será bosque,
à sua sombra encontrarei a fonte
onde um rumor de água é só silêncio.
"Ostinato Rigore", in Poesia Eugénio de Andrade, Modo de Ler, Rosto Editora, Abril 2011, pp.175-176.
(pelo aniversário do poeta, 19 de Janeiro de 1923)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Vale a pena?
"É difícil ainda admitir que a Terra não é o centro do Mundo. É difícil conceber que a espécie humana é uma espécie entre as outras que há-de findar como elas. Nós pensamos na nossa morte, mas sonhamo-nos sempre perduráveis na memória dos que nos conheceram ou mesmo na dos que vierem depois desses.
Mas a espécie humana é pressupostamente contínua pelos milénios dos milénios. Raro assim imaginamos a extensão infinita do silêncio que a precedeu e há-de seguir. Mas é só pensando num silêncio infinito que a espera é que podemos entender a sua fragilidade.
Um dia a Terra será deserta e reduzida à condição de uma bola de pedra perdida nos espaços e no seu absurdo fantástico de ser. Pensa nisso quando conquistares um império ou realizares uma obra de arte ou sofreres ou infligires uma humilhação.
E verás que tudo se te transfigurará."
Vergílio Ferreira, Escrever, Bertrand Editora, Lisboa 2001ª, p.20.
Mas a espécie humana é pressupostamente contínua pelos milénios dos milénios. Raro assim imaginamos a extensão infinita do silêncio que a precedeu e há-de seguir. Mas é só pensando num silêncio infinito que a espera é que podemos entender a sua fragilidade.
Um dia a Terra será deserta e reduzida à condição de uma bola de pedra perdida nos espaços e no seu absurdo fantástico de ser. Pensa nisso quando conquistares um império ou realizares uma obra de arte ou sofreres ou infligires uma humilhação.
E verás que tudo se te transfigurará."
Vergílio Ferreira, Escrever, Bertrand Editora, Lisboa 2001ª, p.20.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
"De vez em quando a memória levanta-se...Estou bem. Cansado até às raízes de mim, mas estou bem. A vida inventa-se em cada hora em que ela se nos inventa (...) Uma serenidade invulnerável alastra-se pelo universo... O mar deserto até ao limite do poente. A vida inteira dentro de mim"
Vergílio Ferreira, Até ao fim.
(http://www.youtube.com/watch?v=fD-AzafLWVk&feature=related - Ludovico Einaudi, In un'altra vita)
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