http://www.youtube.com/watch?v=hCNXp6LRP7E&feature=related
Ludovico Einaudi, Lady Labyrinth
O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os
homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXIX"
"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve", Vergílio Ferreira, Escrever
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Se amares o universo, serás do tamanho dele
Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá. Vergílio Ferreira, Escrever ![]() | |||
| http://silentstilllife.blogspot.com/2010/04/blog-post.html Intervenção sobre Edvard Munch. Noite estrelada. 1922-24. |
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Encontros imediatos
Nada podeis contra o amor,
contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
E é tão pouco!
Eugénio de Andrade, Frente a frente
contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
E é tão pouco!
Eugénio de Andrade, Frente a frente
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Nua, a poesia sai dentre o arvoredo.
Como graça fugida ao namorado,
Vem a sorrir da causa do seu medo:
O seu corpo de noiva fecundado.
Vem com seu passo ledo,
Já sem rugas na fronte; descuidado
O coração divino, onde um segredo
Só em humana luz é revelado.
Realidade, embriaguez, beleza,
Tudo ela traz e entrega no seu gesto.
Há no seu rosto aberto outra certeza,
Outro sol, outro sonho, outra alegria.
O seu próprio regresso é o seu protesto
Contra o falso pudor por que fugia
Miguel Torga, "Regresso", in Poesia Completa, volume I, Ed. Dom Quixote, Lisboa 2007, p.181
Como graça fugida ao namorado,
Vem a sorrir da causa do seu medo:
O seu corpo de noiva fecundado.
Vem com seu passo ledo,
Já sem rugas na fronte; descuidado
O coração divino, onde um segredo
Só em humana luz é revelado.
Realidade, embriaguez, beleza,
Tudo ela traz e entrega no seu gesto.
Há no seu rosto aberto outra certeza,
Outro sol, outro sonho, outra alegria.
O seu próprio regresso é o seu protesto
Contra o falso pudor por que fugia
Miguel Torga, "Regresso", in Poesia Completa, volume I, Ed. Dom Quixote, Lisboa 2007, p.181
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