quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vergílio Ferreira, Escrever, p.31
"Escreveste um livro com todo o entusiasmo e convicção e mesmo talvez com grande talento. E sabe-lo porque à uma to proclamaram os catedráticos da Opinião. És célebre e tão vendável como o sabão ou pó-de-arroz. Entraste mesmo, como muito poucos, na lista dos consagrados para a imortalidade. Goza em paz o teu triunfo que ninguém vem perturbar. Mas depois de o teres gozado ou num intervalo do teu gozo, pensa nos que triunfaram há cem anos, há duzentos. Quem os lê? Há decerto os que perduram, depois de séculos ou milénios. Diz-me aqui, que ninguém nos ouve, já os leste? Mesmo dos profissionais da sua leitura, quantos os leram por dentro, no prazer emocionado da sua revelação? Porque um autor, em leitura efectiva, dura tão pouco."

Cabe-nos a nós, agora e sempre, relembrar esses grandes autores, esses textos que nos ficam na memória, essas palavras que saboreamos e revolvemos na boca, sentindo-lhes o sabor, o som e as sensações que nos proporcionam.

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