"Que eram as pessoas? Ilhas. Ilhas isoladas e um braço estendido, a fazer de ponte, por onde se esperava que passasse alguém.
E em tudo isso eu meditava, roendo-me, estirado na cama à espera do sono, os olhos a arder numa espertina que deformava o tempo e as imagens que o povoavam. E nem a presença física de Clarisse, ali à beira, me era nítida. Nem os sapatos e as roupas espalhadas pelo quarto... Mais nítida era a ideia de um destino, e não a de um corpo. E, de quando em quando, num súbito grito do cérebro e dos músculos, eu tacteava-lhe a face, os cabelos, os braços, para que esse destino e esse corpo e os nadas que testemunhavam a nossa existência em comum fossem uma unidade, para ficar certo disso e ainda de que ela estava realmente ao meu lado - e viva. Tacteava-lhe o ofegar lento, vegetativo, da carne - e os meus dedos intimavam-na a viver."
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