domingo, 6 de março de 2011

nada é de molde a tapar por completo a figura de bronze
     enterrada na areia
o écran que floresce
como tu    como eu    nos tubos que dissemos
fizemos
faremos   acordar
                                            e até quando?


Amor
                 amor humano
amor que nos devolve tudo o que perdêssemos

A Vida Inteira         Meu Amor
                                                             SOMOS NÓS

O cigarro do anúncio luminoso adoeceu deveras já não
       fuma o espaço
a uma certa velocidade calma
o atrito longo e agudo dos eléctricos moendo calhas
diz-nos que amanheceu
(...)
amanheceu      é óbvio     amanheceu


Mário Cesariny, Corpo Visível poema, Assírio&Alvim,

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