Ao F
"-Tu nunca choras, pois não? O mundo só é real quando um homem chora.
É preciso ter cuidado com a tristeza... ela fecunda a própria alma, expande-se como a própria vida, torna-se o próprio nome ... Al Berto".
As palavras são proferidas pela prostituta que conhece Al Berto na rua, enoveladas no fumo do cigarro no mistério da noite. Assim abre o filme de Vicente Alves do Ó, que homenageia e procura trabalhar a ideia de liberdade do que é amar alguém sem medos, amar uma pessoa pelo que ela é, independentemente do seu sexo, retratando o choque de mentalidades que se fez sentir na Sines de pescadores que não estava preparada para conhecer Al Berto.
A fotografia do filme é irremediavelmente bela e prende-nos, quase nos fazendo esquecer a incredulidade sentida perante certos diálogos desconexos.
Al Berto é livre, independente, senhor de si mesmo.
"A porta estava aberta", diz João Maria na penumbra da entrada majestosa da mansão Pidwell.
Olham-se num confronto amoroso, observando-se intensamente.
"A porta está sempre aberta", remata Al Berto.
O amor berrado do cimo dos ramos de uma árvore, a sorrir com a alma:
"Preciso do teu corpo todos os dias
Se pousasses na minha mão
Saberias que fechada seria casa e aberta seria céu"
"Vive em cada minuto a tua eternidade
sem luto nem saudade
vive-a
plena e forte
num frenesim de arremesso
para que a tua morte seja sempre um fim e nunca um começo."
https://www.comunidadeculturaearte.com/rtp1-exibe-filme-biografico-do-poeta-al-berto/




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