Voltavas a casa.
Não... não era um voltar, era um invadir.
Tinhas uma chave escondida e entravas.
Acordei e a casa era outra, uma tenda com plantas na sala, tudo espalhado em todas as divisões e tu eras enorme e sombrio e rias repetindo a frase "vai ficar tudo bem".
Tentavas abraçar-me com uns braços elásticos e enormes e eu não queria acreditar que o meu mundo ruíra de novo.
Escrevi uma carta a quem gostava para que não viesse visitar-me e tudo à minha volta era como o Castelo negro da Bela Adormecida, um dragão a guardar-me e a fazer rebentar árvores com espinhos a toda a volta da casa, apertando-me e sufocando-me até às lágrimas, impedindo-me de ser eu.
Acordo e o sol brilha na manhã da 5ª semana de confinamento.
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