A Nossa Sra dos Aflitos é a padroeira da Praia do Pedrógão.
Nunca me deu para estas coisas - tinha dois avôs opostos, um perfeitamente ateu e contra o sistema religioso, outro devoto da Rainha Santa e participante activo, enquanto pôde, da procissão e das celebrações do 4 de Julho de Coimbra - mas elas exalam, sem dúvida, um mistério interessante de observar.
Aqui, na praia, levavam o andor pela marginal e pela rua perpendicular à nossa, todavia a praça enchia-se de música pimba, para contraste incrédulo perante a minha (falta de) compreensão.
O que mais apreciei, quando por cá estava nas festas, foi a procissão das velas à meia noite, abrir as portadas do quarto, espreitá-los a caminhar solenemente, sob o morrinhar característico daqui e este odor forte a maresia.
Mas envolver-me não consigo, encontro o divino apenas nos grãos de areia e nas ondas do mar, nos pinheiros da mata que outrora conferia sombra. Já passaram anos desde o incêndio.
O tempo passa demasiado depressa, mas aqui saboreio cada sílaba, cada gota salgada, cada camarinha adocicada pelo sol...
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