sorrias e o mundo parou. a vida suspendeu-se num fôlego que parecia uma eternidade como as cenas em slow motion dos filmes e o olhar cruzou-se, fulminante aparição.
depois morreste. ou matei-te. não me lembro. morreste, veio no jornal.
o avião despenhou-se no cimo dos Alpes suíços, a explosão quebrou esse corpo amado em pedacinhos que caíram na neve branca e fofa aqui e ali e não mais me sorriste. só vejo o vermelho a salpicar a neve. um desperdício, a paisagem arruinada.
não mais acordei com o teu olhar verde na fronha da almofada, nunca mais ouvi o teu riso feliz nas madrugadas de netflix que nem assim te tiravam a energia para nos encontrarmos na escuridão e arrancar ao outro uma nota mais, um suspiro, "eu vou-me..." avisavas-me ao ouvido com a boca entreaberta, os cabelos espalhados na almofada e, simplesmente, no estalido frenético e num tsunami coreográfico, o teu corpo explodia e inundavas o mundo de prazer.
morreste.... ou foi a abrir na N125... não me lembro, matei-te numa páscoa ensolarada, o carro ficou irreconhecível, pois foi, uma amálgama de peças a arder contigo, embate frontal, sem hipótese.
o teu sorriso...
e volta e meia voltas do Hades, nas noites de insónia, e passo na janela e o tempo pára naquele recorte fotográfico em que o olhar se cruzou.
caminho no mundo dos vivos e não desejo qualquer tipo de catábase, mantém-te no Letes, dorme e sossega.
e volta e meia voltas do Hades, nas noites de insónia, e passo na janela e o tempo pára naquele recorte fotográfico em que o olhar se cruzou.
caminho no mundo dos vivos e não desejo qualquer tipo de catábase, mantém-te no Letes, dorme e sossega.
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