"L'enfer sont les autres", Jean-Paul Sartre
Porque como diz o meu Vergílio Ferreira (Pensar) "O inferno são os outros, disse Sartre. E é sobretudo por isso que se usam óculos escuros" 😎
Bom domingo de eleições, por Abril, sempre!
"Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve", Vergílio Ferreira, Escrever
"L'enfer sont les autres", Jean-Paul Sartre
Porque como diz o meu Vergílio Ferreira (Pensar) "O inferno são os outros, disse Sartre. E é sobretudo por isso que se usam óculos escuros" 😎
Bom domingo de eleições, por Abril, sempre!
Mártires da Ciência
O poder não gosta da ciência porque ela o coloca em causa, em busca da luz ou das possíveis luzes e verdades. Galileo foi obrigado a negar a sua teoria heliocêntrica, por contrariar os dogmas religiosos e, por isso, foi mantido em prisão domiciliária toda a vida (eppur si muove!).
Giordano Bruno, filósofo italiano, poeta, foi julgado e condenado à morte na fogueira por heresia, por se negar a desmentir o que havia proclamado: era um místico e propôs a ideia de que o Universo é infinito, concebendo-o como um continuum. Mas não só.
O que talvez tenha ditado a sua sentença foram, sem dúvida, as suas ideias pouco ortodoxas, que o puseram na linha de fuzilamento da Inquisição - ter duvidado (e quem nunca?) da Trindade, da Transubstanciação, da Condenação Eterna (aka Inferno) e da própria divindade de Cristo. Mais do que propriamente o peso das suas ideias filosóficas de um pluralismo cósmico, de um Universo continuum, sem centro, onde nada é fixo, nem as estrelas, e tudo é relativo como o tempo e o movimento, e onde Deus é a mente universal, a substância inerente a todas as coisas e nunca externa. Giordano apresentou ainda a proposta das estrelas serem sóis distantes, cada uma delas rodeada por mais planetas. e voamos para o livro Escrever, de Vergílio Ferreira: "Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.
Ohhh!
E que bela ideia a de Giordano, se reflectirmos, a de um acentrado continuum universal, pois se estamos sempre em evolução... se estamos sempre em movimento e (e)motion, em translação e rotação, o cérebro não pára, não é? Um brinde a quem diz o que pensa (sob pena de não aceitação e até mesmo de condenação à morte), e a quem mais não quis senão partilhar ideias, lutando pela união dentro das diferenças e a tolerância na cristandade e nunca defendendo a cisão sangrante que continuadamente se verifica.
"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre".
Thank you, R, for the beautiful movie*
Faleceu um amigo de repente, de manhã.
e, na homilia de hoje, o tema do terceiro domingo de advento foi a Alegria.
complexo poder sentir tudo isto num só dia, mas esta Alegria é uma alegria que não é de instagramer, de gargalhada fútil e superficial, é uma alegria de sentir a companhia e o apoio do Senhor no caminho, ainda eu não sei bem o que isso significa. e o meu amigo faleceu e não o verei mais ao balcão com aquele sorriso pândego ébrio, no ambiente de maresia.
estava o meu corpo lá e a mente vagueava, por todo o lado, pelos textos que iam lendo, pelos (a)braços abertos do Cristo de madeira, pelo hossana que se escutava nas vozes límpidas dos jovens.
sei por que venho aqui: a música enleva-me.
de repente, a mente vagueando, o padre disse "e cito de novo o poema de Sophia de Mello Breyner",
orelhas em riste, ah espera, que isto é o que me faz sentido, misturar livros, dissolver palavra na palavra, saborear cada sílaba e a poesia de cada texto, já que o texto é sagrado, qual deles? não são todos? imortalização de palavras, escrevo para ser dizia o meu Vergílio Ferreira. eu escrevo para ver se sai de mim esta ansiedade que não me deixa dormir há meses uma noite sem pesadelos.
oh, Sophia! Sophia na boca dos Jesuítas, porque quem caminha com Deus é olhado, amado e conhecido. que assim seja.
"Escuto mas não sei
por muito que nos abracem, nenhum abraço é semelhante àquele abraço reconfortante, em que parece que todas as nossas peças partidas se fundem e (re)colam magicamente.
segundo diz a Tokyo ( La Casa de Papel), podemos ter várias vidas.
já não cremos em nada. mas não deixa de ser uma das melhores séries que já vi.
acreditemos em nós próprios, pois vidas não há mais.