sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Fernando Namora, A Nave de Pedra


“Aquilo que extraímos de nós, se foi autêntico, se correspondeu a uma vital inquirição sobre o que fomos, donde partimos e para onde vamos, se foi a incessante tentativa de nos situarmos relativamente aos outros e de sabermos como os outros se situam em relação a nós, se foi o abrir de uma pista singular com mãos de tormento, se foi essa espera que o ardor fez posse antecipada, se aquilo, pois, que extraímos de nós com tão dolorosa veracidade corresponde assim a uma mutilação visto ser uma dádiva definitiva, então que o escritor não volte atrás para identificar, menos ainda reaver, a parte de si mesmo que se viu sacrificada”, p.177.

“O livro ia crescendo, encorpando, ia-se individualizando sem eu o aperceber. Até se declarar como tal”, p.179.

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