"La nature a ses lois. La morale est antinaturelle".(Rhinocéros, Ionesco)
Demónios de lingerie cor de carne, músculos, corpo e o poder do gesto e da insinuação...
-Pensei que fosses mais poético! A lógica é linda! Um grito na penumbra e os demónios lânguidos tentam obstinadamente a carne... eles são belos, vê, são felizes e dançam ("E que mover-se um corpo no de um outro o amplexo / não é dos corpos o mais puro intento?", Jorge de Sena, Exorcismos) e o bafo da respiração surda sente-se ("Olhos se fechem não para não ver / mas para o corpo ver o que eles são / e no silêncio se ouça o só ranger / da carne que é da carne a só razão", Jorge de Sena, Exorcismos) e sorris.
Escuta-se o esgar e o contorcer-se de alguém que veementemente afirma "Je ne capitule pas!" (Rhinocéros, Ionesco)
Ó doce perspicácia dos sentidos!
Versão mais táctil que apressados dedos
sempre na treva tropeçando em medos
que só o olfacto os ouve definidos!
Versão mais táctil que apressados dedos
sempre na treva tropeçando em medos
que só o olfacto os ouve definidos!
Audível sexo, corpos repetidos,
gosto salgado em curvas sem segredos
a que outras acres e secretas - ledos,
tranquilos, finos ásperos rangidos -
gosto salgado em curvas sem segredos
a que outras acres e secretas - ledos,
tranquilos, finos ásperos rangidos -
se ligam, mancha a mancha, lentamente...
Perfume túrgido, macio, tépido,
sequioso de mão gélida e tremente...
Perfume túrgido, macio, tépido,
sequioso de mão gélida e tremente...
Vago arrepio que se escoa lépido
por sobre os tensos corpos tão fingidos...
Ó doce perspicácia dos sentidos!
por sobre os tensos corpos tão fingidos...
Ó doce perspicácia dos sentidos!
(Jorge de Sena, Pedra Filosofal)
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