Não se pode buscar uma metade, porque cada um de nós já é um todo, de luz e sombra.
Lilith, figura feminina que existe em todas as culturas, mas vem já do Antigo Testamento (nas versões orais, a primeira mulher de Adão, outros afirmam tratar-se de um mito judaico já de época medieva)
No Genesis, Deus criou Eva da costela de Adão. Noutras versões, Adão nomeia os animais, macho e fêmea e deseja, também ele, separar-se em dois, num ser masculino e noutro feminino, para poder viver a sexualidade. Deus divide-o, mas ambos prometem uma condição para que isso seja possível, que Lilith seja dominada por Adão. Um dia, o lado feminino, Lilith, sopra que deseja a mesma força, direitos e deveres iguais e não a submissão ao homem. Adão nega e Lilith exila-se voluntariamente e parte do Éden para o deserto e é considerada uma devassa, uma demónia, na sociedade patriarcal, obviamente.
Lilith simboliza, pois, o Desejo que não se subordina de forma alguma, muita dignidade mas ao mesmo tempo muita solidão, muito exílio, muita acção, muita ambição positiva.
Metaforiza a importância da força e da dinâmica feminina, tão reprimida ainda.
Lilith tem uma pegada amoral (e não imoral), é desejo puro e liberdade de sentir, liberdade de expressar o que deseja e que todos nós devemos "desreprimir" em nós e deixar sair!
Adoro que "a minha astróloga de serviço", como chamo à minha D., me faça descobrir novos caminhos reflexivos.
O que é mais divertido, é que bate certo: ela lá diz que tenho Vénus não sei onde e Neptuno aqui e acolá, mas depois, ao explicar, faz todo o sentido.
Metade de mim é Lilith, é loba solitária e digna, não submissa, mas metade de mim é Juno, carinhosa matrona, esposa e mãe de família. E ambas são perfeitamente conjugáveis, se ao meu lado caminhar quem tiver a mesma pedalada, no seu todo.
Bem-hajas*
"Porque metade de mim é amor... e a outra metade... também".
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