Não sonhes a eternidade, que os deuses aposentaram-se e já não a fabricam. Mas porque a não fabricas tu, se soubeste fabricar quem a fabricava? Está aí à tua mão, aproveita-a. Está aí numa música, num quadro, num poema. E se te é trabalhoso ter olhos e ouvidos, porque não experimentas tentá-la no que passou e onde nunca falha? Está lá, na sua fixação para sempre.
Vergílio Ferreira, Pensar, 63 e 464.
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