terça-feira, 7 de junho de 2011

tacteias a pedra até ser flor

Sinais de Fogo
Sinais de fogo, os homens se despedem
exaustos e tranquilos, destas cinzas frias.
E o vento que essas cinzas nos dispersa
não é de nós, mas é de quem reacende
outros sinais ardendo na distância,
um breve instante, gestos e palavras,
ansiosas brasas que se apagam logo.

(Jorge de Sena, Sinais de Fogo, in Visão Perpétua, 1967)
 



Promessa de uma noite

cruzo as mãos
sobre as montanhas
um rio esvai-se
ao fogo do gesto
que inflamo

a lua eleva-se
na tua fronte
enquanto tacteias a pedra
até ser flor



(Mia Couto, in "Raíz de orvalho e outros poemas", Caminho, 2009) 

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