quarta-feira, 1 de junho de 2011

Podem tirar-te tudo, tudo, tudo

Podem despir-te de tudo o que tens
Podem tirar-te os olhos com que vês o mundo,
A arte com que pões viver
Numa folha de papel
(...)

Poeta,
Podem tirar-te tudo, tudo, tudo,
Que ainda ficará qualquer coisa de ti;
Qualquer coisa que poderá estar numa palavra apenas...
(...)
Qualquer coisa enorme, imensa indefinível,
Que também pode caber na mais ínfima das coisas
Qualquer coisa enorme, imensa, indefinível,
Atravessando os mares e abrangendo os mundos

Aguinaldo Fonseca, "Poeta", in Linha do Horizonte.

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