A noção de duplo é indissociável do exercício onírico, pois é ela o incitamento que estabelece o funcionamento da fantasia. Conservando-se em vigília, o actor no espaço cénico protagoniza uma rêverie, uma ideia quimérica da sua pessoa. Fica num estado de excedência de si, num envolvimento psíquico em que o corpo deixou de lhe pertencer, em que o seu procedimento deixou aparentemente de ser restringido pela sua vontade.
O corpo é a arena de uma batalha entre um intelecto que raciocina por palavras e um intelecto instintual que é um mistério em si mesmo.
in João Soares Santos, Estudos sobre Artes Cénicas Asiáticas, Fundação Oriente, Lisboa, 2000.
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