sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

“Senti um grito infindável a atravessar a Natureza.” Edvard Munch, Diário


Programa

Não queremos poesia,
Queremos mágicas, artifícios,
Procuramos tapar na existência fatais vazios
E apesar de imenso esforço, uma atrofia.

Mas o que sabem vocês outros da secreta elevação,

Dos sagrados e histéricos soluços da garganta a chorar,
Quando, consumidos pelo haxixe da alma em imersão,
Beijamos o primeiro degrau, para além de cujo limiar
Os deuses moram?


(1915)
Wilhelm Klemm, A Alma e o Caos
100 poemas expressionistas, selecção e tradução de João Barrento

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